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Cultura

Brasileiro cria haxixe seis vezes mais caro que o ouro e faz sucesso na Califórnia

Ele ainda passou pela Holanda, mas foi nos EUA que viu seu negócio decolar

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Harold Winston, 35, nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, mas foi adotado aos três meses de idade porque seus pais não tinham condições de criá-lo. Ele cresceu com sua nova família em Belo Horizonte, onde experimentou um cigarro de Cannabis pela primeira vez aos 16 anos de idade. O gosto pela planta foi tanto que ele resolveu plantar 400 pés no quintal de casa com a desculpa de que eram ayahuasca, mas foi descoberto depois de um tempo pela mãe, que era advogada. Nesse momento, sua maior ambição era aprender a produzir concentrados, chamados haxixe, e foi presenteado pela própria mãe com uma viagem para a Holanda para que pudesse realizar suas vontades sem problemas legais.

“Eu fiquei muito louco quando cheguei lá (em 2003). Parecia uma criança em loja de brinquedo. Fiquei matutando como eu poderia ficar na Holanda e passar a vender maconha por um preço 100 vezes melhor do que as pessoas no Brasil. Minha mãe ficou desesperada quando soube”, narra Winston.

Logo ele percebeu, no entanto, que não estava no lugar correto. ” Na Holanda, a maconha é apenas tolerada. Durante os cinco anos que fiquei no país, vi muita gente sendo presa, inclusive conhecidos. Logo começaram a me dizer que eu estava no lugar errado, que eu deveria ir para a Califórnia”, explica o rapaz, que encontrou nos EUA a “terra mais fértil” para a construção de seu projeto.

Ele ficou encantado com a quantidade de lojas de equipamentos para cultivo, como luzes artificiais, climatizadores e itens para extração. “Eu mal cheguei e enlouqueci. Eu fiquei gritando na rua, literalmente, porque a cada esquina tinha loja para você comprar equipamentos. Você fica louco mesmo. Entrei na primeira que eu vi e fiquei conversando com o dono durante horas sem parar”, relembra.

Seu professor foi Nikka T, produtor do considerado melhor haxixe na época. Apesar de tentar manter sigilo da sua “receita premiada”, que venceu pelo menos 10 concursos de haxixe nos EUA, Harold explica que a grande diferença de seu produto é o fato de não utilizar solventes, como gás butano. Sua extração é feita à base de água, algo que garante confere maior pureza.

Agora conhecido como Bamf (uma abreviação de Badass Motherf***, referência que veio do filme Pulp Fiction), Harold chega a receber caminhões lotados de Cannabis para que produza seu “ouro canábico”, chegando a custar até US$ 250 um único grama – seis vezes mais caro que o ouro. No entanto, apesar de faturar muitos dólares com o negócio, ele sofre para guardar a fórmula secreta de produção e também já teve problemas com a lei estadunidense, que ainda criminaliza a planta em nível federal.

“Eu mesmo fui preso há três anos. Aqui é legal, mas ao mesmo tempo não é. Fui parado por um policial e tinha 20 kg de maconha no carro. Eu tinha uma licença e disse que mostraria ao policial, mas ele disse que rasgaria o documento caso eu mostrasse. A sorte é que nos EUA você não é condenado até esgotar o processo. Depois de dois anos e meio, fui absolvido”, conta.

Amigo de personalidades ativistas da Cannabis, como Badauí e Bob Burnquist, Bamf lamenta a atual legislação brasileira, mas acredita que a mudança virá em breve. “Chega uma hora em que a polícia não tem condições de ir atrás de quem planta e fuma. Os próprios policiais se questionam se eles devem ir atrás de político ladrão e grandes bandidos ou se vão ficar perdendo tempo indo atrás de usuário de maconha num país com tanto problema de verdade”, argumenta o grower.