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Cultura

Brasileiros aceitam menos a legalização da Cannabis que média mundial

Brasil é mais conservador no tema que países vizinhos como Argentina e Chile

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Muito se fala que o Brasil é um país conservador e que isso se reflete na composição do Legislativo e, atualmente, no Executivo. Mas, será que essa ideia se confirma na realidade? De acordo com uma pesquisa do instituto Ipsos sobre a legalização da Cannabis, sim.

O estudo “Visão Global sobre os Vícios 2019”  foi realizado em 29 países com 8.638 pessoas entrevistadas e tratou da aceitação das populações a respeito de alguns temas, como o uso de redes sociais, consumo de alimentos e a legalização da Cannabis. No último tema, nosso índice de aceitação está abaixo da média mundial tanto em relação ao uso medicinal (54%, contra 57% da média mundial) quanto à utilização com fins recreativos (24%, contra 26% da média mundial).

Os números de outros países latinos se assemelham a grandes potências econômicas. Chile e Estados Unidos tem altos índices de aceitação do uso medicinal da planta (76%), seguidos de perto por Alemanha e Argentina (73%). O México (69%) e o Peru (64%) também estão à frente do Brasil.

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Quando se trata do consumo para fins recreativos, os números são semelhantes. Estados Unidos (53%), Chile (39%), México (32%), Alemanha (31%) e Argentina (30%) têm nível de aceitação superior ao brasileiro.

O percentual de aceitação dos brasileiros sobre a legalização da Cannabis é próximo ao de países considerados conservadores, como a Malásia (47% para o uso medicinal e 14% para o uso recreativo) e a Índia (39% e 24%, respectivamente).

“O Brasil é um país conservador em seus costumes. Sua opiniões se aproximam a respostas obtidas em países mais restritivos, como Malásia e Hungria”, afirmou Priscilla Branco, gerente de opinião pública da Ipsos.

“A percepção de que há uma tendência global de maior tolerância com relação a comportamentos mais liberais não se verifica na pesquisa. Muitas das atividades potencialmente viciantes ainda são vistas com grande desconfiança pela população. O Brasil, na maioria dos casos, acompanha a média tendencialmente mais conservadora. Isso ajuda a explicar dois movimentos sociais que se verificam claramente na atualidade: resgate político de movimentos conservadores e extremismo de opiniões”, explicou Marcos Calliari, presidente da Ipsos no Brasil.

Os resultados da pesquisa indicam uma necessidade urgente de desconstrução de tabus e estereótipos. O único caminho possível é a discussão saudável com base em informação séria e evidências científicas, livre de discursos inflamados e apaixonados.