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Cultura

Conheça a religião rastafári e a situação de Ras Geraldinho no Brasil

Líder religioso foi “convidado a morar na Jamaica” por juiz que sentenciou sua prisão

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Historicamente, o consumo da Cannabis está relacionado não só a finalidades recreativas e medicinais, como também religiosas. Vários rituais são realizados sob o uso dessa e de outras plantas ou substâncias, as quais seriam formas de auxiliar os fiéis a se conectarem com as divindades cultuadas. No Brasil, entretanto, essas práticas ainda são controversas, podendo levar seus seguidores à cadeia, como é o caso de Ras Geraldinho e a religião rastafári.

Fundador da Igreja Niubingui Etíope Coptic de Sião do Brasil, a primeira de cunho rastafári no País, Ras Geraldinho foi preso em 2012 pela Guarda Municipal da cidade de Americana (SP) devido aos 37 pés de Cannabis encontrados em seu sítio.

“Se ele [Ras Geraldinho] quisesse seguir a religião, deveria ir morar na Jamaica”, escreveu o juiz Eugênio Augusto Clementi Júnior na sentença que o condenou por tráfico de drogas a mais de 14 anos de prisão, multa de R$ 51,1 mil e o repasse de seu imóvel à União.

Entre idas e vindas judiciais, sua pena chegou a ser diminuída para 10 anos, mas foi aumentada posteriormente para 12 anos e 3 meses por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Alexandre Khuri Miguel, advogado de Geraldinho, tenta levar o caso ao STF (Supremo Tribunal Federal) em busca da reversão das sentenças.

Rastafári

A religião rastafári nasceu na Jamaica na década de 1930, e tem um compromisso com o resgate das tradições africanas. Haile Selassie, imperador da Etiópia entre 1930 e 1974, foi considerado a encarnação de Jah (abreviação de Jeová, ou Deus). “A Etiópia irá em breve estender suas mãos até Deus”, diz uma importante passagem da Bíblia para o movimento.

O uso de drogas, no entanto, só é permitido em contexto ritualístico, com o objetivo de elevar a consciência e conectar o fiel a Jah.

Uso religioso

No Brasil, o “uso estritamente ritualístico-religioso” é permitido como uma exceção, de acordo com a Lei de Drogas de 2006. Plantar, cultivar, colher e explorar vegetais e substratos “dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas” é ilegal para outras finalidades.

Apesar da permissão, a utilização para fins religiosos continua sob interpretações da Justiça, não existindo uma regulamentação clara que supervisione essas atividades. A liberdade de crença, consequentemente, segue ameaçada.

Fonte: Nexo.