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Cultura

Conheça os hindus sagrados que vivem em crematórios, não usam roupas e fumam Cannabis

Canibalismo é outra característica do grupo

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“O princípio subjacente de sua prática é transcender as leis de pureza, a fim de alcançar a iluminação espiritual e ser um com Deus”. Foi assim que o professor James Mallinson explicou à BBC o sentido da vida para os aghori, hindus sagrados que vivem em campos de cremação. Eles não usam roupas, esfregam cinzas no próprio corpo, praticam o canibalismo e fumam Cannabis.

“Eles fumam Cannabis e ainda tentam ser autoconscientes, mesmo no estado alterado”, explicou Mallinson, que é professor de Sânscrito e Estudos Indianos Clássicos na Escola de Estudos Africanos e Orientais (SOAS, na sigla em inglês), em Londres.

De acordo com o especialista, aghori significa “não aterrorizante”. Apesar de seus hábitos serem bastante estranhos à sociedade em geral, a filosofia por trás de tudo tem a ver com a quebra de paradigmas. “A abordagem aghori é assumir os tabus óbvios e quebrá-los. Eles rejeitam as noções normais de bom e ruim”, afirma Mallison.

“Seu caminho para o progresso espiritual envolve práticas loucas e perigosas, como comer carne humana e até mesmo suas próprias fezes. Mas eles acreditam que fazendo essas coisas que os outros evitam, alcançam um estado aprimorado de consciência”, descreve o professor.

Não se sabe, exatamente, quantas pessoas vivem, de fato, como aghoris. Isso porque eles só aparecem nos principais festivais de hinduísmo na Índia, os quais acontecem a cada 12 anos. Muitos dos supostos “aghoris”, inclusive, não cultuam os hábitos, sendo apenas pessoas a aproveitar oportunidades de negócio com os turistas.

Sem ganância

Os verdadeiros aghoris, de acordo com Mallison, não se importam com dinheiro. “Eles rezam pelo bem-estar de todos, não ligam para pessoas que queiram sua bênção para um filho ou para construir uma casa”, contou o professor da SOAS.

O canibalismo, por exemplo, teria a ver com uma perspectiva de ver a pureza em todas as coisas, não fazendo diferenciações morais. “Eles veem tudo como uma manifestação de um ser supremo. Eles não rejeitam nem odeiam ninguém ou algo. É por isso que não fazem distinção entre a carne de um animal abatido e a carne humana. Eles comem o que recebem”, diz Mallison.

Serviços médicos

Os aghori mantêm um hospital para pacientes com hanseníase na cidade de Varanasi, no nordeste da Índia. Vítimas de uma das doenças mais estigmatizadas da história, pessoas que foram abandonadas pelas suas famílias encontram nos aghori uma esperança de tratamento com terapias que variam de medicina ayurvédica e banhos rituais.