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Cultura

HQ sobre Cannabis e racismo ganha versão em português

Autor foi preso na adolescência pelo consumo da planta e percebeu disparidades

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Não existe fórmula para desconstruir um preconceito. Cada pessoa se sensibiliza de uma forma diferente, a depender da sua história de vida e valores construídos ao longo da trajetória. Algumas ferramentas, no entanto, possuem um poder diferenciado por conseguirem equilibrar a exposição de informações concretas com o didatismo. Talvez seja esse o poder das histórias em quadrinhos, as HQs, canal escolhido pelo estadunidense Box Brown para contar sua história com a proibição da Cannabis.

Natural da Filadélfia, o quadrinista foi preso aos 16 anos de idade devido ao consumo da planta. Sua experiência dentro da cadeia, no entanto, foi muito além da tristeza individual pela reclusão.

“Pude ver um pouco do sistema e como eles tratavam meus pares, que não eram brancos e vinham de uma cidade menos rica. Desde então, acho que eu estava me coçando para contar essa história”, afirmou o quadrinista, que agora está lançando a versão em português de “Cannabis: a ilegalização da maconha nos Estados Unidos”.

São 256 páginas que narram de forma bastante didática a história da proibição da planta nos EUA, desde sua chegada no país, passando pelos conflitos entre colonos europeus e nativos americanos que resultaram na “guerra às drogas” em diversas instâncias.

Além de passagens sobre a mitologia que envolve a planta, a obra faz uma crítica bastante direcionada à atuação de Harry J. Anslinger (1892-1975). Ele foi o primeiro comissário do Departamento Federal de Narcóticos, órgão criado após o fim da Lei Seca e apoiado pela indústria farmacêutica – outro ponto sensível dos questionamentos do quadrinista.

“Este é um recurso natural abundante, e há muito lucro a ser ganho sem que as corporações tentem abrir caminho para o setor e eliminem todos os outros produtores. Todo mundo continua falando sobre justiça social, mas todos aqueles com algum registro policial são mantidos fora da indústria da maconha, assim como não há espaço para nenhuma empresa pequena”, argumenta.