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Cultura

UFSC e UFPB ganham disciplinas sobre Cannabis medicinal

Alunos de medicina, biomedicina e farmácia vão passar pela matéria

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As instituições de ensino superior do Brasil parecem estar atentas às descobertas da ciência a respeito dos benefícios medicinais da Cannabis. Cursos da área da saúde da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) introduziram disciplinas que tratam da questão, visando preparar os alunos – futuros médicos, biomédicos, veterinários e farmacêuticos – com um arsenal de tratamentos mais completo.

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O uso terapêutico da planta tem sido uma boa alternativa à falta de resultados de medicamentos tradicionais em alguns casos. Além de eficientes, os remédios canábicos costumam apresentar menos efeitos colaterais que outros produtos, garantindo a saúde e o bem-estar de humanos e bichinhos.

UFSC tem matéria desde o início do ano

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aderiu à novidade no primeiro semestre. O curso de medicina veterinária ganhou uma disciplina sobre Endocanabiologia, ou seja, o estudo das substâncias orgânicas e inorgânicas da Cannabis.

Erik Amazonas é o professor responsável pela matéria. Ele realizou testes em mais de 20 pacientes e teve resultados muito satisfatórios, com destaque para Yara, uma cadela vira-lata que sofria convulsões diariamente. “Comecei a dar o óleo de Cannabis e em uma semana, quando cheguei na dose ideal, os ataques pararam. Ela mantém a saúde com apenas três gotas, administradas três vezes ao dia”, contou Amazonas.

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O professor também apresentou um exemplo vindo dos Estados Unidos: um Buldogue francês que estava paraplégico e não respondia aos medicamentos convencionais, mas conseguiu ficar em pé sozinho menos de um mês após ingerir diariamente o óleo canábico. “O óleo é muito eficiente para eliminar dores crônicas, como as do câncer, e evitar alergias como as provocadas por picadas de pulgas”, explicou.

Amazonas é um defensor da utilização medicinal da Cannabis em animais, mas reforçou a importância de não medicar os pets sem a orientação de um profissional. “Testes com cães e gatos foram precursores dos experimentos em humanos, apesar de pouco se falar nisso. A Cannabis medicinal funciona igualmente para os dois. A diferença está apenas na dosagem. Para os animais é mais baixa”, afirmou o médico veterinário.

Sistema endocanabinoide é foco na UFPB

Pela primeira vez no Brasil, os alunos de medicina, biomedicina e farmácia de uma universidade federal terão uma disciplina específica sobre Cannabis. Por unanimidade, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) aprovou a criação da matéria Sistema Endocanabinoide e Perspectivas Terapêuticas da Cannabis Sativa e Seus Derivados.

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“O objetivo principal é introduzir conhecimentos sobre o Sistema Endocanabinoide e sua relação com diversas doenças, além de ampliar os estudos farmacológicos sobre os canabinoides (endógenos e exógenos), com ênfase nas manifestações clínicas, tratamento e possíveis interações medicamentosas”, explicou a professora doutora Katy Lísias Gondim Dias de Albuquerque, criadora da disciplina, que será lecionada já no segundo semestre de 2019.

Diante das experiências positivas que profissionais e pacientes do Brasil e do mundo estão tendo com a Cannabis medicinal, ela entende que está na hora de os alunos se aprofundarem no tema para ampliarem o repertório de tratamentos.

“É muito importante que essa formação sobre as perspectivas terapêuticas da Cannabis sativa aconteça dentro da graduação para que os profissionais de saúde saiam das universidades com menos preconceito e embasados na ciência para aumentar seu arsenal de terapêutico”, argumentou a médica.

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Segundo Katy, aqueles que transmitem conhecimento nas salas de aulas devem ampliar o debate a respeito da planta. “É nosso dever, como professores e pesquisadores, mostrar aos futuros prescritores e demais profissionais da área da saúde que existe uma possibilidade terapêutica bastante viável a partir dessa planta no tratamento de diversas doenças”, afirmou.

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