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Legislação

Irlanda vai testar legalização da Cannabis medicinal

Mudança será avaliada daqui a cinco anos

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Diante de tantas evidências científicas e países comemorando os benefícios da legalização da Cannabis, por que não fazer uma tentativa? Pois a Irlanda tomou uma decisão nessa linha: Simon Harris, ministro da Saúde, autorizou o uso medicinal da planta em programa com duração de cinco anos. Em 2024, será feito um balanço sobre a mudança legislativa para que ajustes aconteçam.

De acordo com o “Medical Cannabis Access Programme”, os casos em que se poderá utilizar Cannabis medicinal serão aqueles em que os tratamentos convencionais não funcionaram. A prescrição e acompanhamento médicos são imprescindíveis, assinalou o ministro responsável pela novidade.

De forma semelhante à postura do Conselho Federal de Medicina brasileiro, um grupo de médicos irlandeses criticou a medida. Eles assinaram uma carta de preocupação em que alegam que a legalização da Cannabis medicinal será danosa “especialmente para a saúde física e mental” dos jovens, ideia que foi rechaçada por Harris.

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No século XIX, médico irlandês já estudava Cannabis

William Brooke O’Shaughnessy foi ao Oriente na primeira metade do século XIX para estudar a Cannabis. Médico nascido na Irlanda, ele levou para o Ocidente conhecimentos sobre a planta, que já era usada na Índia há milhares de anos. Ele passou oito anos na cidade de Calcutá, experimentando o ópio e a própria Cannabis.

“Não consegui localizar referências sobre o uso dessa substância na Europa”, escreveu O’Shaughnessy no estudo “Sobre as preparações da cannabis indiana, ou Gunjah” publicado em 1839, na revista científica Journal of the Asiatic Society of Bengal.

O médico desejava registrar o potencial terapêutico da Cannabis com perspectiva científica, fazendo também observações sobre o uso social da substância que, segundo ele, era consumida por “todo tipo de pessoa”. Ele descreveu efeitos “fascinantes”, como a “felicidade eufórica”, “a sensação de voar”, um “apetite voraz” e “um intenso desejo afrodisíaco”.

Foram realizados experimentos com animais e, posteriormente, seres humanos. Pacientes com cólera, reumatismo, raiva, tétano e convulsões foram testados. Apesar de não ter descoberto a cura das doenças, verificou grande potencial da Cannabis tratar sintomas graves de várias enfermidades, sendo capaz de acalmar e aliviar a dor e sufocar espasmos musculares decorrentes de tétano e raiva.

Apesar de suas descobertas, a Cannabis passou a ser restringida na década de 1930. Os EUA proibiram a venda de medicamentos canábicos em 1937 e retiraram a planta de sua enciclopédia farmacêutica em 1942. Na década de 1950, o porte da planta passou a ser criminalizado em vários países.