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Legislação

Uruguai: bancos dos EUA ameaçam fechamento de contas de farmácias que vendem Cannabis

“Parar de vender Cannabis ou fechar minha conta”, relata farmacêutico

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Desde que a legalização da Cannabis aconteceu no Uruguai, muitos desafios foram colocados à frente das farmácias  autorizadas a comercializar o produto. A demanda é muito maior que a oferta, ocasionando filas gigantescas e fazendo com que muitas pessoas cheguem em casa de mãos vazias. No entanto, talvez a mais preocupante dificuldade tenha sido a pressão de bancos, algo que tem resultado na interrupção de vendas da planta.

O motivo dessa conduta das instituições financeiras é o fato de se tratar de companhias internacionais, especialmente dos EUA, onde a planta ainda não foi legalizada em nível federal. Um banco estadunidense, por exemplo, não pode obter receitas através do comércio de Cannabis, mesmo quando a atividade acontece em locais cuja legislação já regulamentou o consumo recreativo da planta.

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Esteban Ribeira foi um dos que cederam à ameaça. “Meu banco me disse para parar de vender Cannabis ou fechar minha conta. Parei de vender”, explica o farmacêutico, que depende do contrato com um banco dos EUA para poder realizar transações internacionais.

“Fui a primeira farmácia a fazer o registro para vender Cannabis, mas fui também a primeira que parou de vender Cannabis no Uruguai”, conta, de forma irônica, sua história.

Apesar das dificuldades com a falta de abastecimento, esse é um problema que deve ser solucionado ou, ao menos, amenizado nos próximos tempos devido a parcerias que o Governo têm buscado. A chantagem das instituições financeiras internacionais, no entanto, depende de uma mudança legislativa de caráter mundial. Essa é uma mostra de que a legalização da Cannabis não deve ser uma reivindicação regional: só vai acontecer plenamente quando a sociedade, de maneira geral, abraçar a causa.