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Cidade de 8 mil habitantes tinha Cannabis na praça principal e nas casas de idosos

Cruzeta foi notícia no “Fantástico” em 1996

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Os moradores do pequeno município de Cruzeta, no Rio Grande do Norte, cultivavam uma planta para tratar dores e cicatrizar feridas. Inofensiva e terapêutica, o vegetal foi cortado de todos os locais pela polícia após a descoberta de que se tratava de Cannabis.

O ano era 1996. As autoridades receberam uma denúncia de que alguém tentava vender Cannabis dentro de um bar. O rapaz portava pequena quantidade da planta, mas descobriu-se que ele havia jogado pelo muro da casa vizinha uma sacola com folhas canábicas.

Preso, o jovem contou que adquiriu o item apreendido com um idoso. A polícia, então, conseguiu um mandado de busca e apreensão e foram até a casa de João*, 63, onde encontraram um pé de Cannabis de três metros de altura.

“Ele tinha vários tambores com a erva curtida em água, consumia diariamente e tratava aquilo como um líquido santo”, contou Renilda Medeiro, de 54 anos, antiga moradora da cidade. Ela explicou que o óleo da planta, conhecida localmente como liamba, era utilizado para amenizar os sintomas do câncer de João. “Ele dizia que essa planta aliviava todas as dores que sentia e impedia que a doença avançasse”.

Coincidência ou não, o idoso faleceu meses depois de cortarem a planta de sua casa.

O caso deu início a um inquérito contra muitos moradores que seguiam a mesma prática de João – havia Cannabis até mesmo na praça da cidade. De acordo com as investigações, no entanto, o uso da planta era estritamente medicinal.

“Eles cultivavam a referida para curar doenças e para cicatrizar cortes”, destaca o resultado do inquérito, que terminou sem pessoas indiciadas.

“A questão das ervas foi uma coisa até que corriqueira, apesar de ter sido muito comentada. Mas a notícia que mais surpreendeu a todos foi assistir a Cruzeta no Fantástico. Ninguém nunca imaginou que a nossa cidadezinha pacata, do interior, fosse aparecer para todo o Brasil, ainda mais dessa forma”, contou Renilda.

*Nome fictício