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Em nova investida contra Cannabis, CFM rejeita chamá-la de “medicinal”

Entidade lançou “orientações” sobre como designar a planta

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Publicamente contrários à regulamentação da Cannabis para fins terapêuticos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatra (ABP) publicaram no mês passado um conjunto de dez orientações a respeito de como designar a planta. Logo no início das diretrizes, consta uma ideia de que não se deve chamá-la de “medicinal”, na medida em que não seria reconhecida como medicamento.

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O argumento se baseia na ideia de que os estudos existentes ainda são insuficientes. “Como os poucos resultados obtidos estão longe de ser generalizados, e mesmo que o uso controlado possa ser feito, deve-se levar em conta os potenciais malefícios já comprovados”, defendem CFM e ABP.

Entre os ativistas pela regulamentação, um dos motivos para fazê-la é, justamente, a possibilidade de ampliar o conhecimento sobre a planta através de estudos científicos, algo que ainda é bastante restrito.

Seguindo com o documento, as entidades alegam a “substituição dos benefícios por malefícios”. “Para qualquer substância com potencial de causar dependência em uso terapêutico, até hoje, a regulamentação é especial, pois os benefícios iniciais podem ser substituídos por danos decorrentes do uso crônico, visto que ainda não existem estudos a longo prazo que comprovem a segurança”, indicam.

A publicação contém até mesmo um apelo moral, denunciando um suposto desequilíbrio familiar devido ao consumo da Cannabis, na medida em que suas variedades afetam “toda a família, provocam alterações de humor e mudanças de comportamento, afetam as pessoas próximas e provocam acidentes no trânsito”.

Influência de Osmar Terra

Para além do caráter conservador, CFM e ABP são grandes aliadas de Osmar Terra, ministro da Cidadania. Principal integrante do Governo Federal na luta contra a legalização da Cannabis, Terra costuma desacreditar estudos científicos e usa discurso moralista para rejeitar a regulamentação do plantio.

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“Se tu falares para as mães desses meninos drogados pelo Brasil que a Fiocruz diz que não tem uma epidemia de drogas, elas vão dar risada. É óbvio para a população que tem uma epidemia de drogas nas ruas. Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. Temos que nos basear em evidências”, afirmou o ministro no mês de maio.

Ele criticava uma pesquisa da Fiocruz, o maior estudo da história do país sobre consumo de drogas, que apontou as substâncias legalizadas, como o álcool, como as mais consumidas pelos brasileiros.