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Famílias que precisam de Cannabis medicinal ficam em apuros após negativa da Justiça

ONG ainda busca autorização para produzir remédio

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Em setembro do ano passado, o Cannabidiol Brasil contou a história da ONG Reconstruir, que buscava autorização judicial para seguir produzindo óleo de Cannabis para 200 famílias no Rio Grande do Norte. Após negativa da Justiça, no entanto, a entidade foi obrigada a destruir todas as plantas – mesmo enquanto recorre da sentença – e os pacientes que precisam do remédio ficaram em apuros. Um deles é o garoto Cauã, filho de Débora Gabriella de Lima, 27.

Sofrendo várias e intensas crises convulsivas devido ao quadro de paralisia cerebral e epilepsia, a única alternativa, até então, era o uso de medicamentos que não surtiam efeito.

“Meu filho tinha dois anos na época e as convulsões dele eram tão fortes que a cama do hospital balançava”, descreve Débora.

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Ao conhecer o potencial terapêutico da Cannabis, Débora vibrou: “Sabe o que é ver seu filho ter 50 convulsões por dia e, uma semana depois, elas pararem completamente? Só encontro uma palavra: milagre”, conta a mãe.

Quem lhe ajudou a acessar a planta foi Yogi Pacheco, um dos fundadores da ONG Reconstruir. Sua mãe sofre de mal de Parkinson e teve melhora significativa com o uso da planta. Ele decidiu, então, ampliar o escopo de pacientes e buscar a legalização de sua produção.

Sem sucesso na empreitada, Yogi explica a decisão de acabar com a plantação. “Matamos as plantas para seguir as leis. Entramos com um pedido de reconsideração para que os pacientes não ficassem sem remédio, mas sem essa autorização ficamos de mãos atadas”, disse o rapaz, que é diretor-executivo da ONG.

Agora, a esperança está num parecer do Ministério Público Federal (MPF), que, depois de se mostrar contrário pedido, mudou de opinião ao longo do processo.

“O provimento jurisdicional do pedido é fundamental, não só por proporcionar a melhor opção de tratamento à disposição dos pacientes epiléticos, com reflexos visíveis em termos de qualidade de vida, mas também porque simboliza um passo de vanguarda no sentido de eliminar entraves burocráticos e corporativos, que acompanham a estigmatização do uso da substância derivada da Cannabis no cuidado quanto a diversas patologias neurológicas”, relata um trecho do parecer do MPF.

Nesta quarta-feira (24), as famílias de pacientes farão um protesto em frente à Justiça Federal do Rio Grande do Norte como forma de pressão sobre o julgamento do mérito da ação do MPF.

Enquanto isso, cada um “se vira como pode” para garantir os tratamentos canábicos, recorrendo a produtores clandestinos e torcendo pelo sucesso da regulamentação do uso medicinal da Cannabis. E apesar das dificuldades, a esperança que a planta traz já é um alívio.

“Eu tinha certo preconceito com a maconha. Mas por causa de um filho a gente engole essas coisas. Até levei o Cauã na Marcha da Maconha. Sempre digo: ‘maconha é uma planta, não é bicho de sete cabeças, não. Vocês acham que gente ruim é que usa maconha? Meu filho é gente ruim? Olha aqui para ele. Tenho orgulho de dizer: ele é o meu maconheirozinho.'”, afirma Débora.