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Famílias se organizam em redes de apoio para uso medicinal de Cannabis

Mães de pacientes contam as dificuldades com a legislação e preconceito

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Em meio à falta de apoio dos legisladores e de parte da sociedade sobre o uso de Cannabis medicinal, mães fazem o possível e o impossível para salvar a pele e garantir maior qualidade de vida para seus filhos.

“Plantar é proibido. Não é fácil. Quando você começa a plantar, você começa na ilegalidade, eles não dão autorização para você começar”, desabafou Margarete Brito, diretora da ONG Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa a Pacientes da Cannabis Medicinal). “O meu salvo-conduto só deram porque eu já estava plantando, dando para minha filha há um ano. Organizei toda a documentação para mostrar ao juiz que não tinha como voltar atrás”, contou Margarete, que é mãe de Sofia, vítima de CDKL5, que ocasiona epilepsia refratária.

O canabidiol foi descoberto pela família em 2013: pelas redes sociais, souberam que uma jovem dos EUA estava respondendo positivamente ao tratamento. Depois de entrar em contato com a família da garota, Margarete passou a importar o produto – de acordo com a legislação brasileira da época, a atitude era considerada tráfico internacional. Após uma falha no processo de importação, ela testou um produto artesanal e obteve bons resultados.

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Com o apoio do Farmacannabis, um projeto da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foi possível identificar a variedade adequada da planta para o cultivo. A ajuda, no entanto, tem obstáculos legais. “Como vamos avançar na ciência, na pesquisa, se a matéria-prima é proibida? O Farmacannabis só recebe material se o paciente tiver um salvo-conduto, se não vier da ilegalidade. Ela não pode ter uma planta nem para pesquisar dentro do laboratório, é proibido, é crime. Isso é muito complicado. É um atraso no avanço das pesquisas”, explicou Margarete.

Aline Voight é mãe de Maria Clara, portadora da Síndrome de Rett, enfermidade que ocasiona epilepsia e comprometimentos motores, cognitivos, gastrointestinais e ortopédicos. A menina recebeu 12 medicamentos diferentes antes de iniciar o teste com canabidiol, tendo uma melhora “além da contagem de crises”: Maria Clara teve avanços no sistema cognitivo e pôde diminuir o uso de outros remédios, melhorando o funcionamento do fígado.

“Existem crianças que respondem bem ao produto importado e outras que respondem bem aos artesanais. Também existem crianças que não têm condições de arcar com os custos desse produto importado. Nosso sonho, na verdade, não é que o SUS incorpore o medicamento importado, é que incorpore o extrato brasileiro. A importação não é garantia de acesso”, defendeu Aline, que também é a favor da descriminalização do uso social,  recreativo e industrial. “As drogas não podem ser encaradas como crime. É uma questão de saúde. A partir do momento que você criminaliza, você não vai fornecer tratamento adequado para os dependentes, você vai tratá-los como criminosos, quando são pessoas que precisam de atenção”, explicou a mãe de Maria Clara.

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Fonte: Destak.