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Governo impede divulgação de maior estudo sobre uso de drogas no Brasil

“Eu não confio nas pesquisas da Fiocruz”, afirmou Osmar Terra

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Realizado pela Fiocruz, o 3º Levantamento Nacional Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira foi embargado pelo Governo e não pode ser divulgado publicamente. Osmar Terra defendeu a medida e atacou a entidade realizadora, questionando um suposto “viés ideológico” na pesquisa, que é o mais abrangente estudo sobre consumo de drogas no país, custou R$ 7 milhões, realizou mais de 16 mil entrevistas e envolveu 500 pesquisadores.

De acordo com Terra, a Fiocruz tenta mostrar que “não há uma epidemia de drogas” no Brasil, algo que ele considera “inegável”.

“Se tu falares para as mães desses meninos drogados pelo Brasil que a Fiocruz diz que não tem uma epidemia de drogas, elas vão dar risada. É óbvio para a população que tem uma epidemia de drogas nas ruas. Eu andei nas ruas de Copacabana, e estavam vazias. Se isso não é uma epidemia de violência que tem a ver com as drogas, eu não entendo mais nada. Temos que nos basear em evidências”, afirmou o ministro em entrevista ao jornal O Globo.

Os resultados do estudo

A opinião de Osmar Terra contraria os dados da pesquisa. Sobre drogas ilícitas, alvo do ministro e de enfrentamento das políticas públicas, o relatório aponta que 9,9% da população utilizou alguma delas ao menos um vez na vida; 3,2% no último ano; e 1,7% nos últimos 30 dias. A mais consumida foi a Cannabis – respectivamente, por período: 7,7%, 2,5% e 1,5% – enquanto o crack foi a menos utilizada – 0,9%, 0,3% e 0,1%.

As drogas lícitas, por outro lado, apresentaram altos índices de uso. A “campeã” foi o álcool: 66,4% consumiram pelo menos uma vez na vida; 43,1% no último ano; e 30,1% nos últimos 30 dias.

Os números foram captados através de 16.273 entrevistas em 351 cidades nas áreas urbanas e rurais de capitais, cidades interioranas e, de forma inédita, de áreas de fronteira.

Drogas ilícitas são o maior problema?

Apesar da grande área abrangida pela pesquisa, Osmar Terra defende que não existe “validade científica”. “É uma pesquisa baseada em algumas cidades. Na prática, fala que o número de pessoas que usam drogas é pequeno. É uma metodologia que eu não usaria, uma opinião de quem é do ramo”, defendeu.

“Na minha opinião, as pesquisas da Fiocruz estão sendo montadas para provar que não tem epidemia (de uso de drogas no Brasil). Agora, anda na rua no Rio de Janeiro e vê a quantidade crescente de pessoas se drogando nas ruas. Se isso não é uma epidemia, eu não entendo mais nada do que é epidemia”, argumentou o ministro.

Osmar Terra entende que a Fiocruz “é prestigiada para fazer vacina, para fazer pesquisa de medicamento. Agora, para droga, ela tem um viés ideológico de liberação das drogas”.

Por que houve embargo?

De acordo com a Secretaria Nacional de Política de Drogas (Senad), ligada ao Ministéria da Justiça e responsável pelo embargo da pesquisa, as exigências do edital não teriam sido cumpridas.

Em nota oficial, a Fiocruz contraria a Senad, afirmando que seguiu todos os padrões solicitados. “(…) o plano amostral empregado no 3º Levantamento foi, em 2018, submetido, aprovado e publicado nos anais do Joint Statistical Meeting, reunião das diversas Associações Estatísticas Mundiais, sendo referendado, portanto, pelo Consórcio Internacional de Estatística”, afirma a entidade em trecho do texto.

“Vale destacar que a abrangência amostral foi solicitada pelo próprio edital e que todos os critérios solicitados foram devidamente atendidos”, reforça a Fiocruz, que está recorrendo contra o embargo através da Câmara de Conciliação e Arbitragem da Advocacia Geral da União (AGU).

Imagem: Reprodução/Instagram. Osmar Terra e Styvenson Valentim comemoram a aprovação da lei que favorece a internação compulsória de usuários de drogas