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Mulheres da Cannabis: advogada fortalece empreendedoras no SXSW

“Elas precisam estar à frente das decisões”, defende Amy Margolis

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Em 2017, a advogada Amy Margolis criou a The Initiative, uma aceleradora de startups para promover empreendedoras da Cannabis. Ela entende como fundamental a busca pelo espaço das mulheres num momento em que o mercado legal dos EUA ainda se desenvolve, podendo deixar um legado especial: um segmento de mercado com mais representatividade feminina que a grande maioria dos negócios. A tarefa, no entanto, não é fácil, na medida em que já são percebidas as marcas da superioridade masculina.

“Na Costa Oeste [dos Estados Unidos], onde há uma tradição antiga de cultivo de maconha, homens e mulheres trabalhavam juntos. Mas, nos últimos quatro ou cinco anos, eles se destacaram, e elas ficaram para trás. Conforme perdemos os pioneiros, também perdemos as mulheres”, explicou Margolis, que se apresentou no SXSW.

Também fundadora da Associação de Cannabis de Oregon, Amy acredita que as mulheres são importantes mentes pensantes, podendo ocupar lugares de destaque na aquecida indústria de Cannabis.

“Escolhemos o segmento de produtos para o consumidor final porque esse é um mercado que tem muita oportunidades. As mulheres são makers. Das nove empresas aceleradas agora, sete são desse nicho, sendo que seis são lideradas por mulheres que vêm da economia criativa. Isso ajuda a construir uma marca”, disse a advogada.

E quais seriam os obstáculos para o desenvolvimento das garotas? De acordo com Margolis, os homens possuem auto-estima mais elevada, mesmo quando têm menos conquistas e reconhecimento que elas.

“Convidei um empreendedor para falar sobre seu negócio na aceleradora. Depois, uma das mulheres, ex-atleta profissional, criadora de várias empresas, me disse que esse homem havia conquistado muito mais do que ela conseguiria. Mas ele apenas foi capaz de falar bem sobre suas iniciativas”, contou.

Margolis ainda fez uma ressalva sobre a presença das mulheres em empresas: não basta “contratar uma mulher apenas”. Para existir representatividade feminina, “elas precisam estar à frente das decisões”, fazendo parte da alta cúpula das organizações.

“Sabemos que homens investem em homens. A Cannabis é uma indústria intensiva em capital. Os valores são altos. É uma corrida pelo dinheiro que está disponível”, afirmou, fazendo referência à importância de chamar a atenção dos investidos. “Precisamos correr tão rápido e competir com tanta força que não importará o que ficar para trás”, completou.