conecte-se conosco

Mais

Novo diretor da Anvisa é militar indicado por Bolsonaro e contra legalização da Cannabis

“Me causaria muita preocupação”, disse o almirante sobre a regulamentação

Published

on

O Senado Federal aprovou em sabatina um novo diretor para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Trata-se do contra-almirante Antonio Barra Torres, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro e contrário à legalização da Cannabis.

Veja também: Senado aprova projeto que endurece política antidrogas

Apesar de reconhecer o potencial terapêutico da planta, Torres acredita que ainda “há um longo caminho a ser percorrido” antes de uma mudança. Seu argumento é de que o Governo não será capaz de controlar as plantações e a produção de medicamentos.

“Me causaria muita preocupação uma autorização ampla, geral para que seja plantada. Não vamos poder fiscalizar nem a planta nem tampouco a produção do óleo contendo o princípio ativo”, disse o militar.

Sua posição diverge da atual diretoria da entidade, que iniciou o processo de regulamentação do uso medicinal da Cannabis através de duas propostas que estão em consulta pública.

Veja também: Governo impede divulgação do maior estudo sobre uso de drogas no Brasil

Outra declaração do almirante diz respeito ao cultivo caseiro. Esta modalidade nem mesmo faz parte do projeto da Anvisa, mas vários pacientes têm reivindicado sua inclusão devido ao fato de já estarem aproveitando os benefícios do remédio que produzem na própria casa, sem intervenção da indústria farmacêutica.

“Eu, pelo menos, também não consigo entender um plantio indiscriminado da planta para que as pessoas possam, a partir disso, sintetizar seus próprios medicamentos”, afirmou o militar.

Primeira investida direta na Anvisa

Após as consultas públicas anunciadas pela Anvisa, William Dib, seu diretor-presidente, estranhou o (até então) “silêncio” do governo Bolsonaro. Seus aliados já haviam se movimentado no Legislativo para aprovar o endurecimento da política de drogas e criticar publicamente a Anvisa e setores favoráveis à legalização da Cannabis, como a Fiocruz, mas ainda não tinha acontecido nenhuma intervenção direta sobre a possibilidade de regulamentação do uso medicinal da planta

Nesse contexto, a escolha do almirante Torres para a direção da agência foi a “primeira tacada” do Planalto, cujo presidente até já reconheceu que o uso medicinal “é diferente” do uso recreativo, mas defendeu em seguida que liberar o consumo terapêutico incentivaria uma legalização total da planta.