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Por dentro dos clubes canábicos no Uruguai

Jardineiro no país vizinho, brasileiro conta sua rotina de trabalho

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Para consumir Cannabis de forma legal no Uruguai, é necessário se cadastrar e escolher entre três modalidades: compra em farmácias, cultivo caseiro ou participação em clubes canábicos. A terceira opção talvez seja a menos conhecida, na medida em que não é tão fácil e simples acessá-los. Você tem ideia de como funcionam?

Guilherme foi entrevistado pela reportagem do TAB e contou um pouco da sua rotina de trabalho – a conversa foi às margens do rio da Prata, na medida em que a entrada da jornalista responsável não foi autorizada pelo clube. Ele é jardineiro de uma “casa de maconha”, forma como nomeia seu clube canábico, e tem a responsabilidade de cuidar de 99 plantas sob rígidas regras. “Não uso o mesmo tênis que saio, tem todo um controle de qualidade”, contou.

Há cinco meses no ofício, ele precisa se dedicar em várias tarefas diferentes. “(…) tem quartos de floração, quartos de vegetação, quartos de clonagem, manutenção disso, manutenção daquilo, queima uma lâmpada, troca um reator. Desde a climatização que elas precisam, a nutrição, o substrato, o cuidado, a desfolhação, poda, sistema de cultivo, tudo isso eu sou responsável. Se der algum negócio errado, ninguém tocou”, explicou o jardineiro.

“Você precisa regar, ver se tem praga. O segredo é a rotina, e o difícil é se adequar”, completou Guilherme, destacando que a atividade “é trampo, tem que gostar”.

Ele também fez um alerta àqueles que desejam seguir os seus passos.”As pessoas pensam: ‘eu vou lá entregar currículo’. Isso não existe. É confiança, é preciso conhecer [as pessoas certas], é bem restrito”.

Por  que participar de um clube canábico?

Existem 114 clubes canábicos no Uruguai, com um total de cerca de 3,5 mil membros. Para participar de um deles, é necessário pagar uma matrícula que pode chegar a US$ 400 (aproximadamente R$ 1,5 mil). Cada integrante também precisa comprar a sua própria Cannabis, que custa em geral o dobro do preço das vendidas em farmácias.

Entre as vantagens, estão o grande número de variedades disponíveis (chegam a ser mais de dez, contra apenas duas nas farmácias) e o teor mais elevado de THC das plantas cultivadas nos clubes, chegando a 18% – nas lojas, o número cai pela metade.