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Reino Unido resistiu à liberação da Cannabis medicinal, mas políticos já usaram drogas ilegais

80% dos candidatos do Partido Conservador a premiê confessaram o “desvio de conduta”

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Por Lucas Milanez

Uma das nações mais desenvolvidas, ricas e respeitadas do mundo, o Reino Unido tem passado por turbulências políticas. A possibilidade de saída da União Europeia (o “brexit”) é a discussão que mais tem mobilizado e dividido sua população, mas uma pauta que ganhou repercussão em 2018 foi a legalização da Cannabis medicinal. Depois de bastante resistência, o ministro do interior Sajid Javid autorizou o uso terapêutico da planta. Apesar disso, importantes líderes de seu partido já utilizaram drogas ilegais.

Algumas faces da contradição

Dentre os 10 concorrentes do Partido Conservador ao cargo de primeiro-ministro, oito deles confessaram ter utilizado algum tipo de substância ilícita. Boris Johnson, por exemplo, ex-prefeito de Londres, admitiu o uso de cocaína no passado.

“Acho que me ofereceram cocaína uma vez, mas eu espirrei e por isso ela entrou no meu nariz. Na realidade, posso ter cheirado açúcar de confeiteiro”, afirmou Johnson, que lidera as prévias, em programa de TV no ano de 2005.

Também em entrevista na televisão, Esther McVey negou o uso de drogas pesadas, mas afirmou ter utilizado Cannabis. “Se experimentei um pouco de maconha? Sim. Quando eu era bem mais jovem”, disse a ex-secretária das pensões.

Andrea Leadsom foi outra correligionária a confessar o uso de Cannabis. Ela já foi candidata a premiê e agora apoia Boris Johnson, tendo declarado que “todo o mundo tem direito a uma vida privada antes de tornar-se parlamentar”.

O caso mais emblemático, talvez, seja o de Michael Gove. O secretário do Meio Ambiente é o principal concorrente de Johnson ao caro de premiê e sua posição à legalização das drogas é bastante combativa. O político, no entanto, contou ter utilizado cocaína no passado “em várias ocasiões”.

Enquanto isso, pacientes sem remédios foram internados

No ano passado, o Reino Unido permitiu o uso medicinal de Cannabis. A mudança legislativa, todavia, não aconteceu através de esforços governamentais, mas de pressão diante de casos que ganharam repercussão nacional.

Billy Caldwell, então com 12 anos de idade e em tratamento de epilepsia, teve seu medicamento canábico confiscado pelas autoridades britânicas e precisou ser internado às pressas. A situação comoveu o país e colocou os parlamentares na berlinda.

Após uma série de casos semelhantes ao de Billy, Sajid Javid autorizou a prescrição de Cannabis medicinal a partir do fim de 2018. A regulamentação, no entanto, está defasada, na medida em que os pacientes ainda precisam recorrer a outros países para conseguirem tratamento adequado.

Ciência x Moral

O fato de políticos utilizarem drogas ilícitas e com fins recreativos não possui relação direta com a legalização do uso medicinal de Cannabis. As envergonhadas confissões dos membros do Partido Conservador, no entanto, são um retrato da hipocrisia velada que ainda atormenta o Reino Unido e várias outras nações, como o próprio Brasil, com aeronaves do alto escalão da política e do exército transportando quilos de cocaína.

Se existir alguma “luz no fim do túnel” sobre a legalização do uso medicinal e recreativo de Cannabis – e, até mesmo, de outras drogas -, o caminho tem de ser a discussão com base em informação, sendo discutidos os impactos medicinais, econômicos e sociais da proibição. Evidências científicas e históricas devem prevalecer diante de preconceitos e dogmas construídos sobre a face encabulada de interesses espúrios.