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Zona Sul de SP também tem “Marcha da Maconha”

Segunda edição da passeata foi primeira a acontecer sem repressão policial

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Uma das críticas mais comuns aos movimentos pela legalização da Cannabis é a falta de discussão a respeito do genocídio da juventude negra e periférica que a “guerra às drogas” ocasiona. Neste mês de maio (11), o bairro do Grajaú, zona sul de da cidade de São Paulo, recebeu sua segunda edição da “Marcha da Maconha”, a primeira sem repressão policial.

Em 2018, o grupo não conseguiu sequer caminhar. Balas de borracha e gás lacrimogêneo foram utilizadas pela Polícia Militar para impedir a manifestação. “Ano passado, no dia da marcha, que teve concentração no calçadão do Centro de Cultura do Grajaú, a repressão policial começou ali mesmo e acabou não rolando a marcha”, contou Ayron Nogueira, 20, morador do bairro e um dos organizadores da manifestação.

Dessa vez, com mais preparo, cerca de 100 pessoas participaram da caminhada. “(…) A galera soltou algumas reuniões abertas para quem quisesse colar. Nós da Maloka colamos junto pra organizar. Fizemos reuniões semanais pra correr atrás de dinheiro pra fazer o ato e esse sound no final”, disse Ayron, que é integrante do coletivo Maloka Socialista.

A convocatória do ato clamava “por saúde e paz na quebrada” e “pela legalização, para o nosso povo vivo e fora da prisão!”.

“É a primeira vez que eu venho em um evento assim na região que eu moro. É importante falar que a maconha não é só uma parada recreativa, ela envolve muitas coisas”, afirmou o artesão Bruno Bueno Gonçalves, 30. “Ainda tem muito preconceito, mas é importante falar que é sobre a sociedade também, não tem que ser visto de forma criminalizada. Legalizando a maconha, a galera consegue começar a cultivar, tem a autossustentabilidade e não fortalece o tráfico”, completou o rapaz.

Imagem: Nara/Quilombo Invisível