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Na Colômbia, indústria canábica quer liderança global

Clima do país é extremamente favorável ao cultivo

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Uma das nações mais estigmatizadas do mundo devido ao histórico sangrento ocasionado pelas lutas entre polícia e narcotráfico, a Colômbia parece estar decidida a desconstruir esse tabu e planeja alçar voos altos na indústria de Cannabis medicinal. Curiosamente, seu principal executivo do mercado legal da planta no país leva o mesmo sobrenome do mais famoso narcotraficante da história – mas as coincidências param por aí.

“Estamos todos aprendendo”, disse Gustavo Escobar, cofundador e diretor de inovação da Clever Leaves, ao ser referido como o principal entendedor de Cannabis medicinal.

A companhia em que trabalha apostou na Colômbia devido ao clima extremamente favorável, cuja radiação solar abrange as terras do Vale do Sogamoso por 12 horas diárias, além dos baixos custos operacionais – apesar de fortes exigências de segurança das plantações, que possuem uma tripla barreira com arame farpado, cerca eléctrica e sensores infravermelhos, sem contar as 154 câmeras de vídeo e o rastreamento de todas as plantas.

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Inicialmente com cinco funcionários, quando obteve uma das primeiras licenças para produção nacional, a Clever Leaves conta agora com um quadro de 400 trabalhadores. Suas atividades consistem em envio de Cannabis para Canadá e Europa com fins científicos, mas o objetivo é aproveitar também o potencial financeiro do negócio. “Ainda são exportações com escopo de pesquisa, mas abrem caminho para o desenvolvimento comercial”, afirma Escobar.

Segundo a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), a Colômbia tem permissão para plantar mais de 40 toneladas de Cannabis. Andrés López Velasco, que foi diretor do Fundo Nacional de Entorpecentes até o mês de maio, acredita que o desenvolvimento do mercado nacional se deu, entre outros fatores, pelo apoio dos profissionais da saúde. “Aqui a comunidade médica tem sido muito receptiva, esta foi uma grande diferença”, explica Velasco.

“Não podemos perder a oportunidade histórica que se apresenta à Colômbia para ser líder nisso”, argumenta Rodrigo Arcila, presidente da Associação Colombiana de Indústrias de Cannabis (Asocolcanna).

Imagem: Divulgação/Clever Leaves