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Negócios

Profissionalização é forte tendência no mercado de Cannabis nos EUA

Empresários buscam executivos renomados para comandar os negócios

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Se alguém pensa que a legalização da Cannabis em estados dos EUA tem sido uma grande “farra de maconheiros”, essa pessoa está bastante enganada. Cada vez mais, o que se percebe nas 33 províncias que liberaram o uso medicinal da planta – 10 deles permitiram também o consumo recreativo – é uma crescente profissionalização dos negócios. Muitos esforços e cuidados têm sido tomados para garantir a eficiência de um dos mais promissores setores da economia estadunidense.

David Dancer, 48, por exemplo, teve uma carreira de sucesso passando por grandes marcas, como Charles Schwab e Teleflora, antes de chegar à Med Men. Ele foi o responsável pelo comercial da campanha “The New Normal”, o primeiro da história de empresas canábicas.  “Isso (Cannabis) pode e deve fazer parte da vida cotidiana de qualquer pessoa”, afirma o executivo.

Entre os trabalhadores de áreas operacionais e de desenvolvimento da indústria canábica, existem agricultores, vendedores e especialistas em química, engenharia e saúde, entre outros. Afinal de contas, imagine todas as etapas necessárias para que a Cannabis chegue até o consumidor final: é necessário preparar a terra, cultivar, colher, estocar, embalar, distribuir e vender. Uma infinidade de produtos à base de canabidiol (CBD), como sabonetes, cremes e alimentos, também vem sendo desenvolvida.

Trata-se de uma complexa cadeia produtiva que demanda equipamentos de alta tecnologia, profissionais capacitados para definir as técnicas de plantio, médicos atualizados sobre os benefícios terapêuticos, varejistas qualificados para indicar as cepas e produtos aos consumidores, e um vasto etc. Um campo que engloba entre 200.000 e 300.000 trabalhadores, de acordo com um economista da ZipRecruiter.

Steve DeAngelo, um dos pioneiros dos negócios de Cannabis nos EUA, está convencido da importância da profissionalização. Ele contratou Menna Tesfatsion, advogado com experiência no setor imobiliário, para comandar as operações de sua empresa.

“Somos os melhores especialistas do mundo em Cannabis. Mas não tivemos muitas oportunidades de aprender os principais conjuntos de habilidades comerciais, como finanças e conformidade, marketing e imóveis”, argumenta DeAngelo.

As companhias se preocupam inclusive com a forma de falar sobre a planta. Nada de “pot”, “weed” ou “marijuana”, formas de nomeá-la equivalentes a “erva” ou “maconha”. O nome científico – “Cannabis” – é o preferido, conferindo aspecto mais sério ao negócio.

O consultor Bryan Passman, executivo de longa data que ingressou recentemente numa empresa de recrutamento do mercado canábico, costuma aconselhar os entrevistados a não dizerem que “gostam de maconha”, mas que possuem um “relacionamento com a planta”. Uma sutileza que pode parecer bobagem, mas que ajuda a desconstruir o forte tabu que foi criado sobre os consumidores de Cannabis.