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Temos que mudar a lei, alerta professor da Unifesp intimado a depor

Referência em pesquisas sobre Cannabis medicinal, ele foi acusado de “apologia ao crime”

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“Em todos esses anos de trabalho, nunca havia me acontecido algo assim”. Elisaldo Carlini, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com especialização em psicofarmacologia na Universidade de Yale (EUA), foi convocado a prestar depoimento à polícia.

Autor de renomados estudos sobre a Cannabis para fins terapêuticos, Carlini organizava a quinta edição de um simpósio sobre a planta, reunindo especialistas de diferentes áreas para debater a questão. Em busca da adesão de Ras Geraldinho, fundador da primeira igreja rastafári do Brasil, o professor pediu autorização à Justiça – Geraldinho foi preso em 2013 e condenado a 14 anos de cárcere devido à apreensão de pés de Cannabis na sede de sua igreja.

Além de negar o pedido, a promotora Rosemary Azevedo Porcelli da Silva, do Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP), afirmou ter ficado indignada com a solicitação, a qual teria “fortes indícios de apologia ao crime”, e abriu inquérito para investigar o professor e outros organizadores do evento.

Carlini acredita que a intimação “é uma ofensa para a ciência brasileira”. Cristiano Maronna, seu advogado, indica “uma ilegalidade flagrante” na postura do MP, “uma violação da liberdade de investigação científica, algo garantido pela Constituição”.

A Unifesp divulgou nota de apoio ao professor, mas ele apelou a seus defensores para que não critiquem os acusadores individualmente, na medida em que a origem do problema, em seu entendimento, está na legislação. “Quem fez a acusação ou a denúncia não tem culpa. Isso não importa. Sempre há quem deseje seguir estritamente a lei.[…] Temos que brigar para atualizar a lei, que é injusta e cruel, principalmente com jovens negros e pobres que são presos e mandados para uma sucursal do inferno”, argumenta.

Fonte: BBC.