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Saúde

#17deoutubro: como falar com os jovens sobre a legalização da Cannabis recreativa?

Canadá vai iniciar experiência na quarta-feira, 17

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Quando uma mudança legislativa acontece, a sociedade passa por um processo de adaptação à nova realidade. Na próxima quarta-feira (17), a Cannabis para fins recreativos estará legalizada no Canadá, mas como os pais e mães devem lidar com a nova medida? Agora que é legal, não existe outra saída além da informação.

“Os pais podem e devem se informar”, defende a Dra. Karen Leslie, especialista em medicina adolescente do Hospital for Sick Children, em Toronto, Canadá. “Você não pode simplesmente dizer que é ilegal (agora)… (A legalização) Vai forçar os pais a começarem a falar sobre isso”.

O estudo “Global Statistics on Alcohol, Tobacco, and Illicit Drug Use: 2017 Status Report” chegou à conclusão de que o tabaco e o álcool são mais prejudiciais do que a Cannabis.

Obviamente, a notícia não deve servir para os pais incentivarem seus filhos ao consumo deliberado da planta. Entender que “não se trata de uma droga extremamente perigosa”, no entanto, é fundamental para desmistificar uma ideia disseminada durante décadas.

Uma pesquisa realizada no estado de Illinois (EUA) indicou uma tendência de substituição do álcool pela Cannabis. E o melhor: apenas 25% dos jovens entrevistados afirmaram fumar sozinhos, algo que revela um caráter social da utilização da planta, em detrimento de um uso diário decorrente do vício.

“Primeiro a gente tem que se instruir, porque eles sabem mais que a gente. Todo pai deve ler sobre o assunto, se informar igual a eles. (…) Minha preocupação maior é se isso vai fazer bem pra ele, se vai atrapalhar o trabalho e os estudos”, diz Marli Sábio, 54, consultora financeira. Ela é mãe de Otávio, de 22 anos de idade.

“Se alguém perguntar se Cannabis faz mal, devemos responder ‘sim, ela pode fazer algum tipo de mal para algum tipo de pessoa, mas ela faz tanto bem para tantas pessoas’. E não é por causa da bula que vamos deixar de usar o remédio. Se eu for ler a bula dos efeitos colaterais dos antidepressivos é assustador”, explicou Sidarta Ribeiro, um dos maiores especialistas canábicos do Brasil.

Ele falou também sobre o mito da “Cannabis matar neurônios”. “Que mentira! Cannabis promove novos neurônios e promove novas sinapses. Agora, isso é sempre bom? Não, depende da pessoa”, disse Ribeiro, que é professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), PhD pela Universidade Duke, nos EUA, e diretor do Instituto do Cérebro da UFRN.