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Saúde

Cannabis alivia sintomas da endometriose, aponta estudo

Realizado na Austrália, trabalho foi publicado em periódico canadense

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Na Austrália, a endometriose tem sido uma condição a atrapalhar a qualidade de vida de muitas mulheres – uma em cada nove nascidas entre 1973 e 1978 foi diagnosticada por volta dos 40 anos de idade. Entre os tratamentos escolhidos pelas pacientes, a Cannabis tem sido utilizada em crescente frequência e, por isso, sido investigada por cientistas do país. Um desses estudos foi publicado no Jornal de Ginecologia Obstétrica do Canadá e apontou os benefícios da planta para as vítimas da doença.

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Realizado por especialistas do Instituto de Pesquisa em Saúde da Universidade de Western Sydney, o trabalho contou com 484 mulheres com endometriose na faixa entre 18 e 45 anos de idade. Elas foram questionados a respeito dos métodos utilizados para amenizar os sintomas da doença.

A endometriose se trata de um revestimento semelhante ao interior do útero, mas localizado na parte externa do órgão. Isso ocasiona dor e fadiga pélvica, além de problemas psicológicos decorrentes do quadro clínico. Nesse contexto, as vítimas da doença costumam se afastar do trabalho e possuir problemas sociais e sexuais, por exemplo.

“Pesquisas anteriores demonstraram que certos compostos da Cannabis, conhecidos como canabinoides, exercem atividade analgésica e anti-inflamatória. Nossa pesquisa procurou determinar a prevalência, tolerabilidade e eficácia auto-relatada da Cannabis em mulheres com endometriose”, explicou Justin Sinclair, principal integrante da pesquisa.

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E os resultados foram animadores. A Cannabis foi eleita o tratamento mais eficaz, sendo utilizado por mais de três quartos das entrevistadas. Entre os benefícios indicados, estão a redução da dor, de náuseas, vômitos e problemas gastrointestinais. Também houve melhora na qualidade do sono e redução de sintomas de depressão e ansiedade.

Outra vantagem do uso da planta foi a redução média de 50% no uso de outros medicamentos, como os opioides e contraceptivos orais, comumente prescritos para pacientes com endometriose, mas com sérios efeitos colaterais.

No caso da Cannabis, as consequências relatadas foram mínimas – “Uma em cada dez mulheres no estudo que usaram Cannabis relatou um efeito indesejável, como sonolência, batimentos cardíacos acelerados ou aumento da ansiedade”, afirmou Sinclair.

Esse dado ainda pode ter relação com a falta de conhecimento sobre a variedade canábica utilizada, na medida em que a obtenção de Cannabis medicinal ainda é bastante burocrática na Austrália.

“Isso significa que não temos informações sobre as diferentes variedades de maconha que as mulheres estavam usando ou as substâncias que poderiam estar associadas a elas, uma vez que foram adquiridas de fontes ilícitas, que não têm garantia de qualidade”, afirmou Mike Amour, pesquisador-chefe do estudo.

“Mais pesquisas são necessárias para avaliar a eficácia da Cannabis medicinal de qualidade controlada e das mulheres com endometriose”, completou Amour.