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Saúde

Cannabis combate sintomas do estresse pós-traumático

Pesquisadores da Califórnia revisaram pesquisas existentes e indicaram necessidade de aprofundamento

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Uma das reconhecidas aplicações terapêuticas da Cannabis é seu uso para alívio dos sintomas do estresse pós-traumático (TEPT, na sigla em inglês). A doença acomete pessoas que passaram por situações de elevada tensão, como veteranos de guerra, vítimas de estupro ou de desastres naturais, que acabam tendo insônia e pesadelos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCL), em Los Angeles, nos EUA, reconheceram o potencial da planta nesses casos ao revisarem os estudos já existentes. Paralelamente, eles defendem o aprofundamento das pesquisas.

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O trabalho foi publicado no periódico Journal of Dual Diagnosis e destaca a importância da busca por alternativas de tratamento ao TEPT. A doença acomete cerca de 1% da população mundial  e se manifesta através de memórias intrusivas (recordações involuntárias), flashbacks ou pesadelos, havendo também um estado de vigilância constante e insônia.

“Há uma recente onda de interesse no uso de canabinoides no tratamento do TEPT, principalmente de veteranos militares, muitos dos quais já estão se automedicando ou obtendo prescrições em alguns estados norte-americanos”, afirmou Chandni Hindocha, da Unidade de Psicofarmacologia Clínica da UCL e principal autora do estudo.

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“Mas a falta de evidências que apoiam a Cannabis como tratamento para TEPT é impressionante, dado o grande interesse por ela e a grande necessidade — não atendida — de melhores tratamentos para TEPT”, completou Hindocha.

As terapias cognitivo-comportamental focadas em trauma são bastante eficazes como tratamento, mas nem todos os pacientes têm acesso a elas. Existem casos, ainda, que necessitam do uso de medicamentos, mas os remédios convencionais causam fortes efeitos colaterais.

Nesse contexto, os compostos da Cannabis, como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidro canabinol (THC) são alternativas menos danosas, na medida em que atuam no equilíbrio do sistema endocanabinoide, regulando o processamento de memórias e de outras funções cerebrais afetadas pelo TEPT.

Os pesquisadores da UCL, no entanto, encontraram apenas 10 artigos sobre uso da planta em TEPT que atendiam aos requisitos mínimos de avaliação. Todos foram considerados de baixa qualidade devido a pequenas amostras, falta de grupo controle, curto período de acompanhamento e baixo nível de detalhamento sobre os pacientes, como a respeito do uso combinado de outros medicamentos.

“Com base nas evidências, ainda não podemos fazer recomendações clínicas sobre o uso de canabinoides no tratamento do TEPT. A prescrição atual não é apoiada por provas de alta qualidade, mas os resultados certamente destacam a necessidade de mais pesquisas, particularmente a longo prazo”, explicou Michael Bloomfield, da Clínica de Psiquiatria e Estresse Traumático da UCL e pesquisador sênior do estudo.

“Muitos desses estudos foram realizados entre veteranos militares, mas também precisamos observar outros grupos, pois o TEPT pode variar dependendo da natureza do trauma, de modo que abordagens diferentes possam beneficiar grupos diferentes”, argumentou Bloomfield.