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Saúde

Cannabis “devolveu vida” a paciente com esclerose múltipla

Antes de obter habeas corpus para plantar, ele já foi intimidado pela polícia

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Aos 45 anos de idade, o designer Gilberto Castro comemora o fato de poder tratar sua doença com o remédio adequado. A informação pode parecer óbvia, mas não é. Isso porque a Cannabis foi o mais eficaz tratamento encontrado para amenizar os sintomas da esclerose múltipla e desacelerar seu avanço.

Em 1999, quando foi diagnosticado, ele temeu. “Fiquei apavorado. Meu maior medo foi quando o médico disse que eu deveria ficar de cama”, contou Gilberto. Ele passou a utilizar vários remédios diferentes, os quais ocasionavam efeitos colaterais “muito piores do que os próprios sintomas da doença”.

A Cannabis, então, foi a solução encontrada. De acordo com o paciente, a planta foi a responsável por contrariar a previsão do médico de que ele teria apenas mais cinco anos de vida útil. “Ela (Cannabis) inibe claramente a evolução da doença. Esse foi um dos motivos para me tornar ativista (um dos primeiros no Brasil), pois a informação precisa ser repassada para salvar mais vidas”, explicou Gilberto.

Ele precisou passar por três processos judiciais, visitas do Denarc (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico) e muito esforço para conseguir o habeas corpus que permite que ele cultive Cannabis em sua casa.

O alto custo do medicamento importado sempre foi um impeditivo para que ele tentasse obter autorização da Anvisa, que também é bastante burocrática. “Nem cogitei importar o medicamento porque o preço é inviável para mim”, argumentou.

Agora ele tem permissão para plantio caseiro e conta com a ajuda do Hospital das Clínicas, em São Paulo, para regular a dosagens dos canabinoides presentes em seu óleo. “É muito fácil (fazer o remédio). O Hospital das Clínicas ainda me ajuda a controlar as doses exatas para meu tratamento. Tomo duas vezes ao dia”, disse Gilberto.

A imagem da matéria pertence ao arquivo pessoal de Gilberto.