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Saúde

Congresso de geriatria tem debate sobre Cannabis medicinal

Organizadora do evento criticou “moralismo” que ronda o tema

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Na última sexta-feira (1), no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) promoveu um debate sobre o uso de Cannabis na saúde e bem-estar de idosos. A discussão fez parte do congresso da área, que aborda também outras questões, como Previdência Social, envelhecimento LGBT e uso de tecnologia para cuidados à distância.

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A utilização da planta, de acordo com especialistas presentes, pode ajudar no tratamento de dor crônica, demência e Alzheimer, por exemplo. Sua aplicação, no entanto, ainda é um tabu entre boa parte da população e da própria classe médica.

“A gente tem que estudar, não pode ficar em um reducionismo e um moralismo”, defendeu Cláudia Burlá, mediadora do debate e uma das fundadoras da Comissão de Cuidados Paliativos da SBGG.

Seu colega Ivan Abdalla, médico do Centro de Demência de Alzheimer do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), reivindicou o aumento das pesquisas sobre o tema, algo que ainda é bastante restritivo em vários países do mundo, como o Brasil, devido à proibição da planta.

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Ele apresentou um mapeamento da Agência Canadense de Drogas e Tecnologias em Saúde (CADTH) que contém 12 estudos de diferentes países – Canadá, EUA, Reino Unido, Suíça, Holanda e Israel – realizados entre 1997 e 2017. Segundo Abdalla, as pesquisas possuem baixa qualidade e alto risco de viés.

“A gente tem evidências de que (a Cannabis) talvez tenha um efeito (no tratamento de demência) mas a gente precisa caminhar alguns passos para poder chegar lá”, argumentou.

“É preciso estimular a pesquisa e o debate, e derrubar barreiras pra isso, mais do que para o uso”, reivindicou o especialista.