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Saúde

“Lutamos por centenas de famílias”, diz diretor executivo da ABRACE

Em entrevista ao CBDB, ele contou as dificuldades e metas para 2018

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Foi na cidade de João Pessoa, na Paraíba, que renasceram os sonhos e perspectivas de centenas de pacientes. A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (ABRACE) foi a primeira entidade do País a obter na justiça o direito de cultivo, pesquisa e produção do óleo de canabidiol, beneficiando mais de 700 pessoas em tratamento de epilepsia e outras enfermidades, como Parkinson, autismo e doenças neurológicas em geral. A Associação sobrevive de doações dos associados, da venda de produtos oficiais, como camisetas e bonés, e recebe apoio financeiro de empresas.

Dispensário em João Pessoa

Dispensário em Campina Grande

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cassiano Teixeira, fundador e diretor executivo da Associação, conversou com a equipe do Cannabidiol Brasil e falou sobre a dificuldade de “ser pioneiro, desbravar muralhas e não se prender a padrões”. Ele lamenta o fato de pessoas procurarem pais e mães de associados da ABRACE em busca de informações para finalidades meramente recreativas, reforçando o compromisso estabelecido: “Não estamos querendo legalizar a maconha em si, mas salvar vidas, propriamente dito”.

Para os pacientes da entidade, cada miligrama do medicamento tem custo de R$ 1. Considerando a média de 5 mg consumidos diariamente, o desembolso mensal é de R$ 150 – valor bastante inferior aos milhares de reais necessários para importar o remédio.

  

Teixeira levantou preocupações sobre a forma com que algumas empresas têm lidado com a possibilidade de legalização no Brasil, mencionando a existência de “empresários que querem cortar caminho” pegando carona na autorização da ABRACE, oferecendo parcerias e benefícios. Ele defende a autorização de atividades cannábicas para associações, fundações, indústrias, laboratórios, universidades e hospitais – e posteriormente, depois de alguns anos de experiência, a liberação do auto-cultivo para pessoa física.

De acordo com o diretor executivo, a Anvisa tem prometido liberar uma resolução colegiada para autorizar o cultivo e produção de medicamentos. Ele acredita, no entanto, que “talvez não haja interesse de liberar as associações”, defendendo que “devemos continuar nossa luta para que a justiça permita essas entidades, com fiscalização do Ministério Público, fazendo assim o avanço mais democrático num país com a saúde tão cara e uma indústria tão corrompida”.

A ABRACE tem aumentado o contato com a comunidade médica. Cerca de 30 profissionais, entre formados e graduandos em medicina, visitam a Associação mensalmente, fato que Teixeira vê como positivo na medida em que vai formar novos médicos com “experiência e conhecimento sobre o fitoterápico”.

De acordo com Cassiano, o principal objetivo para 2018 é a expansão para cultivo na cidade de Campina Grande, devido à doação de terreno por uma família. A nova região tem maior altitude, é mais fria e menos úmida, sendo mais propícia para a atividade. A ABRACE já conta com dispensário em Campina Grande e também na sua sede, em João Pessoa, locais onde os associados podem obter medicamentos, camisetas, broches e outros produtos.