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Saúde

Neurocientista defende o poder da Cannabis

Ele trabalha no registro do primeiro produto canábico a ser fabricado em Valinhos (SP)

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Fabrício Pamplona é formado em farmácia e, desde a faculdade, se interessou pelos canabinóides – foi nessa época que ele teve seu primeiro contato com a Cannabis. Sua tese de mestrado teve a planta como protagonista, estudando como os seus efeitos podem ajudar no tratamento de traumas.

A  pesquisa foi apresentada em um congresso científico na Holanda, quando tinha apenas 22 anos, e também foi premiada pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento.

O seu destaque no exterior o rendeu um emprego no Instituto Max Planck de Psiquiatria em Munique, Alemanha. “Foi lá que ouvi pela primeira vez a palavra startup e vi pessoas fazendo negócio a partir da ciência. No Brasil, achava que ou seria cientista ou teria um emprego, não seria um empreendedor”, conta Fabrício.

Quando voltou ao Brasil em 2009, o neurocientista abriu uma startup que realizava prospecção de projetos universitários com potencial de gerar produtos farmacêuticos. Dois anos mais tarde, saiu da sociedade e foi para a iniciativa privada trabalhando no Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa como primeiro cientista da instituição.

Cannabis na ciência

Fabrício iniciou um estudo com o objetivo de obter neurônios com carga genética de pessoas que sofrem com epilepsia refratária – um dos tipos mais severos da doença. Foi aí que o neurocientista passou a estudar o canabidiol e analisar remédios canábicos que os pacientes traziam.

“Vi que o sofrimento era real e as incertezas, muitas. Não posso fazer essa ciência asséptica, preciso fazer algo que importe para as pessoas. Foi aí que comecei a me interessar em trabalhar em uma indústria farmacêutica que tivesse o objetivo de produzir produtos contendo canabinóides”, relembra.

Hoje, Fabrício está envolvido no registro do primeiro produto que leva Cannabis na composição para o tratamento da epilepsia refratária infantil, em Valinhos (SP). O grupo Entourage Phytolab, do qual o profissional faz parte, está criando uma fábrica de medicamentos à base de Cannabis na cidade do interior paulista.

“Todo acesso via importação é um completo absurdo”

Essa é a opinião de Fabrício quando falamos dos brasileiros que necessitam dos medicamentos para aliviar suas dores. “Os pacientes já podem usar, os médicos já podem prescrever, mas ninguém, salvo raríssimas exceções judicializadas, pode produzir no país”, afirma.

Para ele, o risco é a qualidade dos produtos utilizados em produções caseiras, pois sem regulamentação não há como confiar na procedência, na técnica e na eficácia.

“O que precisamos é de uma regulamentação da Anvisa, prometida para outubro passado pelo presidente”. Ele ainda repete uma frase do pesquisador Elisaldo Carlini: “não existe nenhum motivo médico ou científico para que a Cannabis seja proibida”.

Veja também: Conheça o “pai da Cannabis”

 

Fonte: Trip.