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Saúde

Nos EUA, aditivos químicos são encontrados em amostras de óleos de CBD

Produção em massa prejudica qualidade dos produtos, aponta especialista

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Pesquisadores da Virginia Commonwealth University (VCU), nos EUA, testaram nove amostras de sete produtos da Diamond CBD, grande marca de produtos à base de canabidiol, e encontraram substâncias químicas inesperadas. O episódio pode ser consequência de fracas regulamentações estaduais e da ausência de regras em nível federal, na medida em que, nacionalmente, a Cannabis ainda é criminalizada.

Dentre os aditivos encontrados, estão o dextrometorfano (DXM), comumente utilizado no combate à tosse e conhecido por ser utilizado abusivamente para fins recreativos, e o 5F-ADB, um grupo de canabinoides sintéticos que geram problemas à saúde, podendo ocasionar overdoses.

De acordo com o site da empresa, seus produtos são “100% naturais, testados em laboratório, extratos de CBD”, não contendo produtos químicos sintéticos e substâncias psicoativas.

O CEO da Diamond, Kevin Hagen, afirmou em entrevista que “a empresa se esforça para dar a garantia de que fornecemos os melhores produtos da mais alta qualidade no mercado”, prometendo que novos testes seriam feitos nos itens contaminados. Consultado recentemente pelo Leafly, Hagen afirmou que os novos exames não apontaram presença de DXM e 5F-ADB.

Outro problema, no entanto, reside em mais um aditivo encontrado nas amostras: a melatonina, utilizada em geral como sonífero. A Diamond CBD divulga que alguns de seus produtos contêm apenas “uma pitada de melatonina”, mas os testes indicaram melatonina como o principal componente, enquanto a quantidade de CBD é a menor.

Diante do ocorrido, Hagen levantou a possibilidade de contaminação de seus óleos durante a cadeia produtiva – por exemplo, através de um fornecedor de sabores artificiais. Segundo ele, a Diamond “tem que confiar nos relatórios de laboratório que eles (empresas terceirizadas) fornecem”.

“Eu não estou disposto a comprometer minha família e amigos, ou qualquer pessoa para esse assunto”, argumentou o CEO ao contar que ele e seus familiares consomem os produtos da Diamond CBD.

 

Produção em massa prejudica a qualidade?

Justin Poliks, principal autor do estudo da VCU, defendeu que a perda de qualidade está relacionada ao crescimento da indústria canábica. A busca pelas primeiras posições no ranking de faturamento pode estar se sobressaindo à garantia de qualidade dos produtos.

“Há muito dinheiro a ser feito para que os problemas não apareçam”, afirmou Poliks.

Paul Armentano, vice-diretor da Organização Nacional para Reforma das Leis da Maconha (NORML), ressaltou a importância dos governos estaduais e federal se responsabilizarem, de fato, por uma forte regulamentação e fiscalização da indústria canábica.

“Durante anos, muitos dos produtores desses produtos comercialmente disponíveis navegaram em uma área cinzenta da lei – fabricando produtos de qualidade e segurança variáveis ​​e às vezes questionáveis”, afirmou Armentano.

“Dada a popularidade e a proeminência desses produtos no mercado, é hora de os legisladores desenvolverem e imporem as melhores práticas e padrões de fabricação para este setor nascente – políticas que acabarão por levar a um produto mais seguro e de melhor qualidade para os consumidores”, completou o vice-diretor da NORML.