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Saúde

Número de pacientes autorizados a importar remédios canábicos cresce 2.421%

Regulamentação da Anvisa, no entanto, ainda está longe de acontecer

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De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a quantidade de pessoas autorizadas a importar remédios à base de Cannabis cresceu 2.421% entre 18 de novembro de 2014 e 16 e outubro de 2018. Há quatro anos, 168 pacientes foram atendidos, número que subiu para 4.236 em 2018.

Apenas 321 médicos receitaram Cannabis em 2015. Agora, já existem 911 prescritores no país, algo que representa aumento de 183%. As principais enfermidades tratadas são  epilepsia; autismo; doença de Parkinson; dor crônica; neoplasia maligna; transtorno de ansiedade, transtorno de tecidos moles; paralisia cerebral; esclerose múltipla e transtorno depressivo.

Os resultados são fruto dos esforços de famílias de pacientes e seus médicos, os quais têm pressionado a entidade para facilitar o acesso aos medicamentos e regulamentar a produção nacional. Atualmente, a importação de remédios canábicos custa entre um e sete mil reais mensais, valores totalmente fora da realidade financeira da maioria das pessoas.

 

Atraso da Anvisa

Promulgada em 2006, a Lei de Drogas permite o uso da Cannabis para fins medicinais mediante regulamentação do órgão responsável. A encarregada desse processo é a Anvisa, mas a entidade caminha a passos de tartaruga.

No primeiro semestre de 2018, o então diretor presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa, afirmou que a Agência tratava o tema com prioridade e que a regulamentação aconteceria ainda neste ano. Mas o discurso de William Dib, seu sucessor, teve mudança substancial.

Questionado sobre quando a Anvisa discutiria o tema, Dib se limitou a dizer que isso não aconteceria em outubro “devido a viagens dos diretores. Talvez em novembro ou dezembro” e que a regulamentação acontecerá apenas para “pesquisa científica. Não há nenhum outro fato por enquanto, nem consumo nem uso medicinal”.

Durante o I CannX Brazil, Congresso Internacional de Medicina Canabinoide, representantes da entidade afirmaram que a discussão sobre a regulamentação da Cannabis medicinal “está parada” e que depende de decisão da diretoria colegiada – da qual Dib faz parte -, não havendo previsão sobre quando o tema será colocado em pauta.