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Saúde

Parkinson: CBD melhora o sono e reduz problemas motores

Apesar de obstáculos legais, pesquisadores do Colorado conseguiram recursos para estudo

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A expansão da legalização da Cannabis pelos EUA acontece de forma contraditória. Ao mesmo tempo em que seus estados revisam os regulamentos – 33 permitiram o uso medicinal e 11 liberaram também o consumo recreativo -, o governo federal ainda criminaliza a planta. Isso dificulta o desenvolvimento científico a respeito: como provar que a Cannabis pode trazer benefícios à saúde humana se não se pode estudá-la a fundo? Pois os pesquisadores do país estão em movimento para romper essas barreiras e testar a planta sobre as mais diversas doenças, como o Parkinson.

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Maureen Leehey, da Universidade do Colorado, liderou um estudo para verificar como o canabidiol (CBD) poderia ajudar as pessoas que sofrem da doença. “Depois que a maconha foi legalizada recreativamente no Colorado, nossos pacientes começaram a perguntar como isso poderia ajudá-los. Havia muito interesse, e queríamos ver como poderíamos ajudar nossos pacientes a tomar decisões informadas sobre isso”, contou a professora, que é neurologista e diretora da Divisão de Distúrbios do Movimento da Faculdade de Medicina de sua instituição.

Devido à classificação I do CBD na DEA (Drug Enforcement Administration), o início da pesquisa foi conturbado. Foi necessária uma autorização especial, processo que durou dois anos até a aprovação da CU Anschutz (University of Colorado Anschutz Medical Campus).

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“Tivemos a sorte de a CU Anschutz nos fornecer os recursos necessários para superar obstáculos e realmente tornar esse estudo possível”, disse Leehey.

Com a liberação de recursos do do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente do Colorado (CDPHE), ela finalmente pôde começar o projeto. Uma sala ventilada foi criada para a realização dos testes, além de um local de armazenamento com chave de trava dupla para garantir a segurança dos produtos utilizados.

Treze enfermos receberam uma dose inicial de 400 mg de CBD, a qual foi aumentada ao longo dos procedimentos. Eles relataram diminuição da irritabilidade, melhora no sono e nos sintomas motores, havendo efeitos colaterais leves.

O próximo passo de Leehey é verificar a aplicação do CBD combinado com THC no tratamento de Parkinson. Uma missão que deve apresentar mais obstáculos ainda, na medida em que o THC possui efeitos psicoativos e, consequentemente, apresenta maior rejeição quanto às suas aplicações medicinais.